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05/07/2004 18:10
TEMPO
O tempo é surdo-mudo e cego. O tempo não é aprendiz, pelo contrário, faz troça a mestres e eruditos.
O tempo é a rotina azeda do casal. É a distração da criança com seu brinquedo novo. É a bonequinha encardida, sem braços, de cabelo engrenhado amontoada com outros brinquedos esquecidos, quebrados ou desmembrados no porão.
O tempo não namora e nem casa. Porém não sofre, não mente, não trái ou decepciona uma das partes, desmoronando planos.
O tempo não é o protagonista, o coadjuvante, o figurante, a equipe técnica, o diretor, o produtor ou o roteirista. O tempo é o espectador na sala de projeção. Livre para ficar ou sair quando quiser.
O tempo não é a vítima, o assassino ou o cúmplice. Não é o delegado ou o advogado. Também não é o Juiz.
O tempo é a prisão.
Inerte. Indiferente à agonia do condenado
enviada por odapoltrona
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