O DA POLTRONA



15/07/2004 17:36

SEGUNDA-FEIRA SEM NOÇÃO


Segunda-feira. Após uma entrevista ou melhor uma pole-position de milésimos de segundos a bordo de um AutoCad R14( Essa versão seria o mesmo que estar dirigindo um Passatão ano 78 de farol redondo de banco de napa preto). Depois deste teste, peguei o metrôsão e fui até a faculdade, como eu faço todo dia para usar a Internet e a biblioteca.
Levei um livro do Proust “No caminho de Swann”, que faz parte de um conjunto de sete volumes chamado “Em busca do Tempo Perdido”.

No final da tarde eu liguei para a dona Milene e ficamos conversando no telefone um tempo absurdo, tanto que ouvi o pai dela: o seu Edson, dar um gritão “Vem jantar que tá esfriando” que pensei que foi o meu pai.

Matias, John Lennon ou simplesmente Matheus. Fui na casa do cara encher o saco dele, tanto que levei o violão para apresentar a trilha sonora da “triste história do pequeno Sasha”. Demos umas gargalhadas nervosas. Sasha é um menininho polonês em 1939, que vai acabar nas graças do Dr. Menghelli.


Bom... Agora chegamos no filé deste “pseudo-blog” de hoje:

Saí da casa do Mathias umas 23:30. Como eu fui embora à pé, passei pelo “Triângulo das Bermudas” que fica na minha rua à 50 metros de casa. Esse lugar era composto por três botecos: o bar do Luizão, o bar do Messias e o Bar do Dario. O bar do Dario era freqüentado pelos cabra-macho risca-faca mais sarnentos da Vila Prudente. Era morte de retirante quase toda semana. A molecada (da qual eu fazia parte) nem brincava mais na rua com medo de levar azeitonada. Era sempre assim: começava com uma discussão e terminava no cemitério. Aí o Luizão e o Messias pediram educadamente para o Dario fechar o estabelecimento. O Dario não gostou muito da idéia, então saíram no tiro: saldo Dario não morreu, nem o Luizão e o Messias, mas os clientes do Dario Hummm, Levaram chumbo, morreram uns dois no local e o resto, de maneira muito misteriosa foram morrendo no hospital e mesmo com alta não duravam 2 dias. Os frequentadores do Bar do Luizão e do Messias eram e são frequentados pelos chamados "cidadãos de bem", pais de família: Investigadores e outras coisas desse tipo. Pronto, a paz reinou na minha rua. Hoje risca-faca no bar do Messias ou do Luizão que começa a ficar saidinho leva chumbo.

Bom voltando ao que interessa: Passei em frente do bar do Messias, que já estava fechado e em seguida pelo bar do Luizão que tava rolando um som nervoso: Noel Rosa. Fui ver era o Seu Walter, pai do Helmar, meu amigo de infância, tocando violão e uma porrada de pai de camarada de infância cantando com o veio. Quando eles me viram com o case do violão fodeu: “ÔÔÔÔÔÔoooOOoooÔÔÔôôôôÔÔÔ MarquinhoooôôôÔÔÔÔ!!!!!! Vem cá com essa viola toca aqui com a gente!!!!!”

Fazer o quê? Fui...

O seu Walter, pai do Helmar (camarada de infância), levantou e me abraçou, fazendo com que os outros fizessem o mesmo comigo, parecia uma festa. Cara até o pai do Mosca tava lá. Vocês não tem noção... ...O seu Walter pegou uma lousa de uns 60cm x 50cm, ou seja, era até grandinha, e escreveu as cifras. Tocamos Noite Ilustruda, Lupicínio Rodrigues, Cartola e fiz eles ouvirem Beatles e U2. enquanto a gente tocava uns tiozinhos ficavam cantando segurando o taco de bilhar como se fosse um microfone. Eu olhava para eles e diziam: “tem até pedestal ó”. Nas paredes banners de Schin, Brahma e genéricos e uma estante com vários troféus de campeonatos de futebol de várzea da região.

Fui embora de lá à 1:00 da madruga de segunda-feira. O seu Walter que tava baqueado, mas nem tanto, desceu sozinho a rua comigo, mas o violão dele deu umas raspadinhas nos muros dos nossos vizinhos

Eles me convidaram voltar na hora que eu quiser, vou levar o Moraes como testemunha ocular da história, senão vou ficar com fama de mentiroso, pois essa é surreal demais.




enviada por odapoltrona






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