O DA POLTRONA



23/07/2004 19:49

Confeccionei o texto abaixo em meados do primeiro semestre desse ano. Gostei da abordagem do assunto, seria um disperdício deixar esse arquivo esquecido. Vou compartilhar esse texto com vocês.

Cinza

Marianne Faithfull, ícone dos anos 60. Feminista, cantora, dona de um repertório que ia do "easy listening" ao folk elétrico de Bob Dylan (genérico do Chicão - chico buarque...), com melodias pronunciadas por uma voz “doce”, quase apagada. Namorada de Mick Jagger, fulgurou como o “casal vanguardinha”. Ela andava de vestidinhos tubinhos com jaquetas de couro surradíssimas, enfim: a pioneira do que hoje é chamado de "Culturetes",
Marianne Faithfull, insistiu nos anos 70, 80 e 90. Acredito que o que ela fez de melhor depois dos anos 60 foi ser uma das influências de um tal de Stephen Morrissey, vocalista de uma banda de rock super esquisita de Manchester chamada "Smiths".

Outro dia assisti um filme, daqueles que passam de madrugada no meio da semana, de um grupo de salvamento nas montanhas, que foram prestar socorro a um grupo de alpinistas. No meio do caminho: avalanche, e aí você sabe... todos aqueles clichês Hollywoodianos, super efeitos sonoros, visuais. Tudo isso para não matar ninguém, porém o corpo de uma mulher, que fazia parte do grupo de salvamento, desaparecida 1 ano, emergiu das geleiras, cristalizada, uma "menina de vidro" literalmente.
Marianne Faithfull foi congelada pelo tempo, por uma época, depois disso, é uma caricatura dela mesma.

Sábado encontrei com a Dona Cíntia no ônibus linha 3160-20(terminal vila prudente-praça clóvis). Falamos de coisas da vida, futilidades, nada de especial. Especial...
Engraçado. Conversar com a Cíntia foi a mesma coisa que conversar com a moça congelada do filme, ou como ouvir um disco da Marianne Faithfull dos anos 80. Pessoas que marcaram um período ou uma época e ficaram na história.

Houve um respeito silencioso e um agradecimento implícito por darmos presentes tão bons para as nossas memórias.

A Cíntia cristalizada nas minhas lembranças, estranhou a versão atual da mesma pessoa. Ela gostava de janelas e da cor púrpura, Hoje não restaram janelas e nem matizes púrpuras exitem mais.
Só restaram cores...

... cinzas.


"Prefiro recordar do que viver" - frase perdida no último filme de Fellini


enviada por odapoltrona






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