O DA POLTRONA



28/06/2004 18:46
QUANDO ÉRAMOS RIDÍCULOS

Mick Jagger vetou por 30 anos a exibição pública do “Rolling Stone Circus”, por considerar um registro de uma época da qual quer esquecer. Fiz o mesmo, porém sem intenção, ao taxar com arrogância e prepotência a molecada que faz parte das novas turmas do Rocha Mendes que vimos na Festa Junina. A minha tolerância foi testada sem dó pelos nossos genéricos (havia um genérico do Issao na barraca do dogão), principalmente com as bandinhas de hardcorezitos. Uma merda .... coliformes fecais em ruídos através de instrumentos musicais. Quando algum garoto começava a cantar então... Hummm, aí a caatinga era mais hardcore do que eles estavam querendo tocar.

Foi curiosos ver uma paisagem do que éramos, e a empáfia, a ojeriza, a negação, o asco que aquele amontoado de adolescentes nos provocou. Não adianta... éramos daquele jeito. /alguém irá dizer, que éramos melhores. Posso concordar com alguns pontos que vocês apresentarem, mas tirando isso, no geral éramos parecidos com eles.

Mas nos vácuos em que eu ficava em silêncio andando pelo pátio, na quadra e no corredor, a memória atacava involuntariamente.

As risadas escandalosas do Buba, Moraes e Dona Milene namorando na escada de acesso ao palquinho, as incontáveis camisetas do Red Hot Chilli Peppers, compradas ou confeccionadas pelo próprio Diógenes, os glúteos abençoadamente desproporcionais da Buzza, a beleza angelical, quase andrógina da Talita, o Chico e a Janaína abraçadinhos, o Carro do professor Eudes ( Corcel l, verde farmácia), as madeixas indisciplinadas da Mércia, o Pager no cinto do Adilson, a explosão hormonal das Maria Helenas no último ano, as pernocas da professora Mônica, o sorriso da dona Joana, o rostinho sardento e os cabelos pretos e ondulados da Dona Cíntia.

São “flashes”, imagens sobrepostas, uma a outra, em uma velocidade absurda. Uma chuva de visões e sons desse período.
Não haverá outra época como aquela. A memória é testemunha.

Negamos ás vezes este saudosismo até para não ficarmos lembrando arbitrariamente, vulgarizando algo tão bom.

Éramos ridículos, pretensiosos, barulhentos e felizes. A felicidade era coletiva, compartilhada. Tivemos o privilégio de nos encontrarmos todo o dia por quatro anos ininterruptos.

E hoje somos felizes? Sim, porém individualmente, cada um está correndo atrás da parcela de felicidade a que temos direito, seja na Arquitetura, nas Artes Plásticas, no Desenho Industrial, na Moda, na Publicidade ou no Teatro.

Agradeço por ter encontrado vocês
O Rocha Mendes proporcionou isso.

enviada por odapoltrona






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