O DA POLTRONA



21/12/2005 15:57
Voltei.
Parece nada.

Só parece...
enviada por odapoltrona



09/11/2004 22:25


No Domingo, comecei a ler o livro que o Moraes me emprestou “Mate-me Por Favor”. É uma compilação de entrevistas de caras que fizeram história naquilo que eu considero como o período mais fértil da música pop, com foco mirado para o punk: Final da década de 60 até meados dos anos 80, ou seja: do fim do hippie, passando pelo Glam rock, atingindo o orgasmo no punk de proporções continentais, até a maravilhosa ressaca da new wave.

É um livro que não deixa de ser um tipo de marketing para ajudar a reputação da égide dogmática do punk: quanto pior melhor, sem contar arrogâncias do tipo: “os caras eram tão geniais e revolucionários que nem precisavam saber tocar”, mas o livro não deixa de ser engraçado. Muito engraçado...

Obs: estou na página 76. tem mais de 350 páginas ainda. Caralho...
Abaixo estão alguns trechos que achei interessantes:

“As pessoas faziam coisas estranhas quando tomavam speed. Teve uma cara que apareceu no Max’s Kansas City (Barzinho podreira do chamado Meio Oeste Americano ou Caipirolândia) com o braço numa tipóia.
Todo mundo perguntou: O que aconteceu com você?
Ele disse: Oh, tomei um pico de speed e não parei de pentear o meu cabelo durante três dias”

Susan Pile: Ex-assistente de Gerard Malanga e Andy Warhol na Factory. Baby sitter de Ari Delon. Atual vice-presidente de publicidade mundial da MGM/UA Pictures.

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“Eu tomava LSD no escritório mesmo. Me sentava por lá e ficava lambendo ácido. Minhas mãos ficavam cor de laranja.”

Danny Fields: Ex “doidão da firma” Elektra Records. Ex-empresário dos Stooges e dos Ramones.

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“Jim Morrison era um bundão insensível, um corrupto, uma pessoa ordinária. Levei Morrison ao Max’s, e ele foi um monstro.
A poesia dele era um saco. Ele rebaixou o rock&roll enquato literatura. Papo furado superficial de merda.
Patti Smith era uma poeta. Acho que ela elevou o rock & roll como literatura. Bob Dylan também. Morrison não fazia poesia. Era lixo disfarçado de poesia moderninha e alternativa. Era rock& roll bom pra garotos de treze anos. Ou de onze anos.”

Danny Fields

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Essa última me fez lembrar uma história:

Diálogo de dois amigos em um ponto de ônibus no final de 1996 em algum lugar do continente Sul Americano:

Issao: Olha Moraes, me desculpe, Mas o Jim Morrison... era um Moleque chato pra caralho!!!!!!

Moraes: Puta merda, pode crê!!!! HaHaHaHaHaHaHaHa!!!!!!

Para a molecada, nessa época, Jim Morrrison era Jesus e a grande revolução de quebra de barreiras entre os últimos resquíceos da infância e a Puberdade, equivalente a descoberta táctil e visual das áreas molhadas das meninas. Para as meninas era a descoberta volumétrica e espacial do tal “corpo cavernoso”.



Porra, essa época era o maior legal...






enviada por odapoltrona



04/11/2004 16:16


O casal “De Castro” Moraes e Janaína tiveram uma boa idéia e compartilharam comigo essa “benção”.

Os danados criaram alguns cursos com o fim de ajudarem as faculdades a atender o pluralismo de especificidades que os jovens da classe média paulistana esperam na hora de escolherem uma profissão, e, se firmarem no próspero mercado de trabalho do século XX1 nos países em desenvolvimento.

Fiquei estupefato e comovido com a iniciativa fraterna do casal “De Castro”. Isso foi o desencadeador motivacional para a criação de novos cursos e de uma faculdade que atenda as expectativas dos pretensos universitários.
Batizei o complexo acadêmico de:

Faculdades Associadas de Serviços Supra Essenciais da Rotina Doméstica, Familiar, Religiosa, Industrial, Administrativa e Profissional da Vila Prudente

“Um lance decisivo em sua vida”

Vestibular 2005 nos Cursos de:

- MBA para Balconistas de Fotocopiadoras
- Design de papéis de parede
- Design de “Roupas Transadas”
- Garantia da Integridade de Pronta Entrega de Bens Duráveis e Não Duráveis na Zona Leste
- Limpa-Fossa e Hidrojateamento do esmalte dentário da genitora do seu Cônjuge.
- Gravação de tipografias artísticas em Granalhas de Aço
- Ética da Reprodução Humana em Jacas
- Gestão Empresarial de Quermesses
- Gerenciamento de Pesque-Pague
- Desintegração de culturetes na Orla Paulistana pelo método de içamento da glande ou púbis
- Consultoria e Orientação para Bandas de Quermesse Covers do Iron Maiden e Metallica
- Recondicionamento Culinário de Resíduos e Refugos Hospitalares
- Curso de Esoterismo e Misticismo do Pai Diógenes de Iançã Guiado pela Graça da Orientação Automobilístca de Djanira de Obá
- Rede de Comunicações através da Dona Gorete (Vizinha do Issao)
- MBA em Putaria Avançada
- Reconstituição Plástica do Reto

OBS 1: O lema “Um lance decisivo em sua vida” foi retirado da propaganda da “Faculdade Brasília de São Paulo”. Querem conferir? :

Acessem o site www.brasiliasp.br
Endereço: Rua Angá, 395 – Vila Formosa – São Paulo – Cep: 03360-000
e-mail: faculdade@brasiliasp.br
telefone: 6211-0066

OBS 2: Solicito ao “Casal de Castro” que insiram no “Comentário” os Cursos que são os precursores dessa revolução na sistemática das aplicabilidades pedagógicas no século XX1 em detrenimento das novas exigências do Mercado de Trabalho da Macro Metrópole Paulistana.

Issao diz: “Motomo o Flagelo de Deus Parte 3” estará no Pseudo-blog odapoltrona.blig.ig.com.br na noite do dia 24 de Dezembro de 2004.

É o meu presente de Natal para vocês.


enviada por odapoltrona



15/10/2004 16:38


No canto superior esquerdo do Pseudo-blog, existe um ícone chamado "Perfil", que ninguém entrou nessa merda. Abaixo está o conteúdo do intocável "Perfil"

Descrição do Blig:

Esse Blog foi criado por uma solicitação dos meus amigos que não agüentavam mais os meus e-mails que pareciam crônica do Caderno Brasil da Folha de São Paulo.




Apelido: odapoltrona


Descrição: No cadastro deste "blog", surge uma telinha simpática, com cantos arredondados, fundo laranjinha... Porém senhores, em negrito esta a frase: "Fale um pouco sobre você".
Humm... parece entrevista para vaga operador de telemarketing dos produtos da Telefônica.
As pessoas que acessarão esta porra de blog, já me conhecem. Mas se algum perdido entrar nessa página e quiser saber um pouco mais sobre minhas lindas madeixas encaracoladas, meu biceps, triceps, o azul irisdiscente dos meus olhos, meus glúteos proeminentes e meu tórax, definido por horas de academia após as minhas aulas de vôo no Campo de Marte na aeronave que papai me deu de presente quando completei 18 anos, deixe o seu e-mail para vivermos aventuras na terra (de preferência na Fazenda de vovô Helinho Pimentel de Bragança Vll) , no ar e no mar, pois acabei de comprar um iate que foi do Dr. Sampaio Veiga de Holanda Castro Veloso ll.



enviada por odapoltrona



04/09/2004 12:52


O "PSEUDO BLOG" O DA POLTRONA ESTARÁ FECHADO POR TEMPO INDETERMINADO A PARTIR DO DIA 04/09/04

OBRIGADO A TODOS QUE LERAM E COMENTARAM OS TEXTOS.

ISSAO O JAPONÊS FORA-DA-LEI DIZ: ATÉ MAIS.



enviada por odapoltrona



31/08/2004 21:50


Quero dormir. Não dormi esta noite.
Fiquei acordado durante a madrugada, o dia e a noite.
Agora estou cansado. Fiz um Hotel. Um grande megazord. E daí?
Duzentos e quarenta quartos, vinte andares, 960 m2 de auditório, 360 m2 de lobby e uma porrada de outros metros quadrados.
Caralho... Estou fazendo do meu "pseudo-blog", um blog de verdade.

"hoje estou doente e fui para a farmácia. O remédio que eu estava procurando não tinha. Fiquei puto."

"hoje eu acordei com vontade de comer a minha professora de inglês em cima da mesa com a caixa de giz aberta para ela bufar e o pó sujar toda a cara dela"

"hoje a minha cadela Wendy(deu até arrepio de digitar a porra desse nome) acordou tristinha. A levei para o psicólogo de Cães que a minha amiga Suélen me indicou. ai como o mundo é monótono"

hoje... Hoje... Hoje... Hoje eu estou... com saco cheio. Mas com tanto saco cheio que agora neste instante nesse minuto, estou tendo um relacionamento extremamente íntimo com o teclado como eu jamais sonhei ter com algumas pessoas que eu conheço. Às vezes prefiro uma mordida em uma mexerica podre a tentar conversar com pessoas que são tão... tão... chatas. Uma mexerica podre, toda laranjinha, com aqueles bagaços brancos flácidos, seja mais interessante do que o resultado de uma conversa com um chato(a).


Sabe aquela frase "Não sou melhor do que ninguém", pois é o da poltrona, eu quero que o éticamente correto vá pra puta que o pariu (nem sei se é com hífen ou sem híven, o hífen que vá pra puta que o pariu). Me sinto melhor do que muita gente e foda-se!

Cansaço em São Paulo é não saber mascarar o que a gente realmente sente por algo ou por alguém. Estou totalmente cansado.

Meu professor ainda não viu o meu trabalho. Acho que vou mandá-lo pra puta que o pariu sem hífen, porém com o melhor fonema pronunciado que existe: o expontâneo.

Apesar do cansaço, não consigo mandar o MOTOMO para a puta que o pariu, com hífen ou sem hífen. Nem brinco com isso... Tô fora!



enviada por odapoltrona



11/08/2004 20:29


“MOTOMO : O FLAGELO DE DEUS”

Parte 2: “Dor, Lágrimas e Retaliação ”



O Tilo, tem uma irmã mais velha, 6 anos de diferença: a Kátia. Inteligente e um “amorzinho de menina”. Não tinha as malícias da rua, mas algo atraía a atenção dos mano ou dos prreeeibóis: Ela era muito bonita, que apesar do corpinho mignon, sustentava o par de seios mais cobiçados da rua Umuarama, que segundo os assíduos freqüentadores do bar do Messias e do Luizão: “não eram grandes, nem pequenos, eram perfeitos. A única coisa que o seu Rafael fez de bom de nessa vida maledeta” (ela se casou ano passado e continua iguauzinha).
Os primos do Tilo: o Celão e o Marcão, que são irmãos, são 10 anos mais velhos que o priminho. Esses dois, além de extremamente engraçados, são fãs de música pop, mas tem uma preferência por aquilo que eu ouviria como sinônimo de heavy, e thrash metal: “curtir um som”. O que essas pessoas tem haver com o Motomo? Tudo. A família do Tilo, Conseqüentemente a Kátia e a família do Celão e do Marcão moram na mesmo lote, porém em casas diferentes. Uma prática normal em famílias de procedência européia, especificamente a italiana. O lote do Tilo é de frente da casa do Motomo, que ia visitar os irmãos Celão e Marcão para trocar idéias sobre músicas, darem risadas juntos e aproveitava para ver a Kátia e seus... hã... Sua. Envergadura moral. Resumindo: o Tilo conhecia o capeta.

A Molecada se encontrava na esquina da rua Barra do Campo com a Umuarama. O assunto do Domingo de manhã era: o que era aquilo?

Silêncio.

Tilão mais uma vez: Ele mora em frente de casa. Dizem que ele repetiu o ano na República (República do Paraguai: escola estadual da Vila Prudente).
Issao: E daí?
Tilão: Ele repetiu o ano, pois foi expulso por brigar com um cara da sala. O irmão mais velho do moleque entrou na briga. O Motomo bateu nos dois. O pai dele é investigado da polícia. Quando soube, deu uma pisa no Motomo que ele nunca mais ficou o mesmo. O que já era assustado, virou...
Ahhh!!!! Não sei!!! Depois ele entrou no exército e aí... Fodeu. E ele se transformou naquilo que vocês viram ontem.

“Tilo! Seus primos estão em casa”
Era ele. Ninguém se mexeu. “E agora?” Era o que todos pensavam naquele instante. Nem reparei se ele estava de coturno, sem coturno, com camiseta do capeta (iron maiden- the number of the beast), só queria ir embora de qualquer jeito.

“Não, eles foram à feira, daqui a pouco eles voltam”.
O Tilo cometeu o maior erro de sua infância ao pronunciar essa frase

MOTOMO: Então vou ficar esperando aqui.

“Deus nos ajude” era o que estava estampado no rosto de cada um.

MOTOMO: Caralho! Nem cumprimentei você

O Motomo estendeu a mão para o Tilo. Tudo bem. Depois foi pegando a seqüência. Cumprimentou-me até chegar no Coquinho (filho de retirantes, que morava no cortição ao lado da Barbearia do seu Alcides).

Motomo: Ô MOLEQUE!!!!! O QUE FOI??!!!!?!!!!!!!!

Senhores, acaba de ser inaugurado oficialmente a era “MOTOMO:O FLAGELO DE DEU”, que foi inaugurado oficialmente nesse episódio: Janeiro de 1990.

Continuando:

Coquinho: ...
O coitado do coquinho não conseguia nem respira, quanto mais chorar. O Motomo ainda estava com a mão segurando a mão cadavérica do moleque.

MOTOMO: VAI, CARALHO!!!!! PORQUE VOCÊ NÃO OLHA PRA MIM PORRRRRAAAA!!!!! VOCÊ PENSA QUE EU SOU LEPROSO???!!!???? RESPONDE POOORRRAAAAAAA!!!!!
Coquinho: Não.
MOTOMO: ENTÃO PORQUE VOCÊ NÃO OLHOU PRA MIM CARALHO??!!!??? VAIII RRRESSSSPPPONNNNDEEEE, MOOOLEEEEQUEEE!!!!!
Coquinho: …
O coitado do Coquinho começou a chorar. Não expressava nenhuma expressão, só o pavor estampado em seus olhos que brotavam lágrimas. O danado nem piscava. Parecia um cadáver chorando. A gente ali, impotente, um bando de covardes, mas não era um apenas um cara mais velho era... O MOTOMO.
MOTOMO: PARADE CHORÁÁ MOLEQUEEEE!!!!!
O Coquinho passou a mão esquerda no rosto, pois a mão direita ainda se encontrava na mão do Motomo. Mas ele não conseguiu...
MOTOMO: QUAL O SEU NOME MOLEQUE?
Coquinho: noonononononnoono
MOTOMO: O QUÊ? SE TÁ TIRANDO COMIGO MOLEQUE?
O Coquinho não conseguiu agregar forças para pronunciar sequer o seu nome.
MOTOMO: PARA DE CHORAR CARALHO... PÁÁRAAA DE CHORAR MMMOOOOLLLLEEEEQUEEEE!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Os passarinhos que estavam na árvore perto da gente, fugiram. O cachorro do “Mixirica” (um catador de papelão da rua) o “Araquém”, que estava do nosso lado, deu no pinote. A voz do Motomo reverberou mais alto que os gritos conjugados dos feirates.
O Coquinho ficou com os olhos esbugalhados, estava parecendo um boneco de cera. Ficou em estado de choque. Bom, ao menos parou de chorar. Os demais, incluindo eu, estávamos parecidos como aqueles bonecos do Kraftwerk.


MOTOMO: VAI MOLEQUE, QUAL O SEU NOME!
Coquinho: ... Marcelo ...
MOTOMO: CARALHO TILO, PARA DE ANDAR COM ESSE LIXO.
O Tilo fez um tímido sinal de positivo com a cabeça enquanto o Josué estava subindo a rua.
Ele viu o MOTOMO. Acredito que pensou em voltar, mas a galera tava lá. Qual o problema? Foi. Esse foi o primeiro grande erro do Josué em toda a sua vida.
Ao se aproximar, notou que o clima estava muito pesado. Tanto que nem cumprimentou ninguém. Sentou do lado do André, que estava no canto e foi aí que:

MOTOMO: E AÍ MOLEQUE. NÃO VAI CUMPRIMENTAR OS CAMARADA NÃO?
O Josué ao invés de cumprimentar todo mundo, cumprimentou apenas o MOTOMO. Nem se deu conta disso, ficou ansioso e se fodeu. Se fodeu grande.
O Josué era o regime do Cazuza, tanto que depois seu apelido iria ser “ZuZa”. O Cara era muito magro. A mão do MOTOMO cobriu a mão do Josué, Omo se fosse uma caneta.

MOTOMO: ÔÔÔ MOLEQUE, TU É TRAÍRA PRA CACETE HEIM? NEM CUMPRIMENTOU OS CAMARADA. VOCÊ ME CONHECE?
Josué: ... errr... pelo Tilo...
MOTOMO: O QUE VOCÊ TEM FALADO DE MIM POR AÍ?
TILO: Teve um dia que você passou na rua e aí eu falei que você era o Motomo e... só...
MOTOMO: QUER DIZER, QUE ALÉM DE SABER SÓ O MEU NOME, VOCÊ É TRAÍRA E CAGÜETA DOS CAMARADA. MOLEQUE... VOCÊ TÁ FUDIDO COMIGO.
Motomo escolheu a sua vítima favorita. O Josué também começou a chorar, mas ao contrário do Coquinho, fez feio. Deu aquele famoso “BUUÁÁÁÁ”, irritando muito o MOTOMO.

MOTOMO: PARA DE CHORAR FILHA DA PUTA!!!!! VAI MOLEQUE, CHEGA!!!! NÃO VAI PARA NÃO É? OLHE PARA O CÉU E SORRRIA MOLEQUE!!!! (sem musiquinha)
JOSUÉ: Hããã?
O Motomo começou a apertar, ou melhor, a esmagar a mão do Josué ao mesmo tempo em que pedia para ele “olhar para o céu e sorrir”.
MOTOMO: VAI MOOOLLEEEQUEEE, OLHE PAA O CÉU E SORRIA, FILHO DA PUTA!!!
O coitado realmente olhou para o céu, mas com um olhar de judeu em Auschwitz, escorrendo uma catarata de lágrimas e com um sorriso que parecia uma careta do Jack Nicholson no Iluminado.


E aí, o Josué disse algo que mudaria para sempre sua vida:

“Motomo, pelo amor de Deus ...”

O MOTOMO larga a mão do Josué, como se ele estivesse contaminado com o vírus Ébola.

MOTOMO: DEUS? DEUS?!? O QUE VOCÊ DISSE MOLEQUE??!!!??!!! DDDEEEEUUUUSSSS???!!!!???
Josué: ?????????????????????????


Silêncio



MOTOMO: CINCO VOLTAS NO QUARTEIRÃO DA UMUARAMA COM A JOSÉ ZAPPI (até hoje, não conheço quarteirão maior do que esse na Vila Prudente).
Josué (chorando e com a mão direita destruída): Mas hoje tem feira...
MOTOMO: É MESMO? ENTÃO SÃO SETE VOLTAS.
Josué: ... ?????? ...
MOTOMO: VAI AGORA MOLEQUE: 1,2,3, VAI!!!! CORRE MALDITO!!!!!

Enquanto o Josué descia correndo a rua chorando, o Celão e o Marcão estavam subindo a rua. O MOTOMO foi a direção aos caras e ficaram do outro lado da rua trocando idéia. Depois de uns minutos o Josué passou correndo. Esqueci de um detalhe: o disgramado estava de chinelo “Samoa”. Um calçado nada aconselhável para quem vai correr.

MOTOMO: VAI MOLEQUE!!!! TÁ MUITO DEVAGAR!!!!! TEM QUE ABAIXAR O TEMPO DESSA PORRA!!!!

O Celão e o Marcão não entenderam nada. Quando o MOTOMO acabou de explicar o que estava acontecendo, ficaram os três dando risada, melhor: gargalhadas. O Marcão até sentou na calçada. E a gente? Bom, o Josué era o prrreibóizinho que andava com a gente, e dava umas mancadas fortes. Na sexta vez que ele passou correndo, com os chinelos entre os dedos da mão e chorando: Ahhh, meu amigo, não deu outra. Nem precisamos falar ou olhar pra cara um do outro, começamos a dar “aquela risada gostosa”, compartilhada, de deixar os olhos úmidos e o diafragma cansado. Só teve um problema: o MOTOMO ouviu.

MOTOMO: TÃO RINDO DO QUÊ CARALHO!!! VAI, TODO MUNDO, CORRENDO JUNTO COM AQUELE LIXO!!!
Começamos a correr na hora. O Tilo deu uma olhada para os primos, mas só conseguiu isso:
MARCÃO: Vai Tilo, corre logo caralho!!!
E desataram a rir. Eles tomaram posse da tal “risada gostosa”
Ao menos corremos apenas 1 volta, enquanto o Josué deu 7 apoteóticas voltas no maior quarteirão da Vila Prudente.

Chegamos bem antes do Josué, pois o coitado estava em frangalhos. Quando ele chegou, a sola do pé do cara, estava cheirando a feira. Correu descalço.
MOTOMO: MOLEQUE, VAI EMBORA AGORA!!!!!!!! CÊ TÁ FEDENDO DEMAIS. SOME DAQUI!!!! SOME DAQUI C O R R E N D O !!!!!

O Josué foi, mas esqueceu de cumprimenta os camarada e... ...o MOTOMO.

MOTOMO: AVISA EQUELE MOLEQUE, QUE ELE JÁ TÁ FUDIDO COMIGO. NO SÁBADO ÀS 2:30, EU VOU ESTAR AQUI ESPERANDO ELE. SE ELE ATRASAR, OU PIOR ELE FALTAR, EU VOU CAÇAR AQUELE MOLEQUE.

Foi a manhã mais longa de nossas vidas. Mais longa ainda, para o coitado do Coquinho. Agora, para o Josué, essa manhã de Domingo foi a mais longa de toda a descendência de sua família.



“M O T O M O O F L A G E L O D E D E U S”

Parte 3: “A maior de todas as mancadas do Josué com o MOTOMO”



AGUARDEM...




enviada por odapoltrona



10/08/2004 20:29


INVERNO


A rua aponta para o gigante estruturado em concreto e alvenaria de tijolos para dar forma a um edifício de 15 andares no estilo “art-déco”. Faz frio. O sol atrás das muralhas vazadas, não consegue penetrá-las, dando a sensação de que os astros, o mundo, estão do lado errado. A imensidão da sombra obtsusa e reta cria um mundo, um planeta diferente: quem está na penumbra do dia e quem projeta a sombra criada pela luz artificial de lustres pesados e decadentes, testemunhas de um passado de gloriosas futilidades brilhantes, vistosas e perfumadas, que migrou suas pompas além dos limites da Consolação com a Barão de Itapetininga.

A rua continua a apontar. Siga em frete sem hesitar. Suba os três degraus até o patamar revestido pelo castigado mármore carrara (branco). Ande sete passos para atravessar a pesada porta de aço de quase quatro metros de altura pintada de preto. A carpintaria do aço pintada de dourado, forma ornados na conformidade da arquitetura do edifício.

Do Lado esquerdo do átrio, um homem calvo, sexagenário, estatura mediana, de traços nordestinos, trajando um terno azul com o brasão do Hotel bordado do lado esquerdo, exibe um sorriso discreto e lhe pergunta o seu nome e o motivo da sua presença atrás do balcão da recepção.

“Décimo quinto andar”, ele lhe responde.

Ele aponta a direção dos elevadores, perto do bar. Na fileira dos elevadores, um acesso para um foyer. Você não resiste e vai bisbilhotar. Pessoas fantasiadas, no salão uma big band tocando “High Society” (Monk Hazel& his Bienville Roof Orchestra, 1928). O elevador chegou. A “tripulação” desce: uma mulher de trinta e cinco anos no máximo, de silhoueta delgada, pele branca, de rosto bem feito e olhos castanhos escuros e profundos, fantasiada de Cleópatra, com o abdômem e os ombros à mostra, está de braços cruzados na tentativa de enganar o frio. Ao fitar os seus olhos, dá um sorriso tímido, levantando apenas o lado direito dos lábios, contraindo a maçã do rosto lembrando crianças que ficam no banco de trás dos carros acenando para estranhos, e, quando o cumprimento é retribuído, devolvem esse mesmo sorriso da “Cleópatra”, submergindo depois para as profundezas do acento traseiro. A mulher desaparece no meio do colorido das fantasias.

As teclas desgastadas, com os tipos em baixo relevo, denunciando o destino: “15”. O elevador é revestido por placas de metal dourado, desgastado pelo tempo. O mesmo acontece com o espelho no fundo com manchas pretas, pequenas, mínimas e outras maiores.

O sinal. Décimo quinto andar. O corredor de luz indireta, de paredes velhas e cansadas ganha um pouco de vida pela amarelada luz do Sol do fim de tarde que a porta entreaberta deixou escapar, te convidando a ultrapassar o limite que separa o corredor do quarto.
Ao entrar, o piso de madeira; conta os passos em sons. Uma cama de casal, grande e generosa. No canto direito ao lado do banheiro: uma penteadeira, do lado oposto um toca disco dos anos 70, uma modernidade já ultrapassada no velho edifício dos anos trinta. O disco está girando, porém a agulha está pairando sobre ele, esperando que alguém a abaixe. Você atende a solicitação. A música inunda o quarto. Smiths.

“Girlfriend in a coma , I know
I know – it’s serious…”

A porta-balcão aberta, escancarada para a varanda com vista para o Antigo Centro até o maciço da Paulista. À minha direita, onde o Sol está se pondo, os edifícios em gris de cinza, são transformados em cubos amarelados, de brilhos salpicados pelo reflexo das janelas. Um deserto em alto relevo. Essa mesma luz invade o quarto em diagonal, assim como o vento gelado que faz as cortinas dançarem, dando tapas opacos na parede.

Caminhe até a cama. Tire os sapatos. Deite-se de lado em posição fetal, escore o braço direito na cabeça sobre a ponta do travesseiro, deixando o vento e o sol abraçar seu corpo.

“Would you please
let me see her!
Do you really think
Shel’ll pull throughg?”

A música é agregada às outras notas multitimbrais da cidade: dos berros dos autos ao crispar das folhas mortas para dar vida à polifonia urbana. Durma enquanto ele(a) está chegando.



Escrevi isso depois de assistir “Encontros e Desencontros” de Sophia Copolla.
Terminei as correções, em punho, no dia 06 de agosto em uma Lan House da rua Pamplona, enquanto a minha “cumadre” Dona Milene, estava respondendo mensagens.
Não quis determinar o sexo da segunda pessoa, pois tanto os “mano” quanto as “mina” acessam o “odapoltrona”



"MOTOMO : O FLAGELO DE DEUS" PARTE 2
"DOR, LÁGRIMAS E RETALIAÇÃO"

AGUARDEM...



enviada por odapoltrona



04/08/2004 20:10




“MOTOMO: O FLAGELO DE DEUS” PARTE 1




PANORAMA CULTURAL(?)DE 1990.

Para maior entendimento do impacto absurdamente violento da figura do
“Motomo o Flagelo de Deus”.




Começo da era Collor. A Ministra Zélia Cardoso de Melo, criou o “Plano Collor” para tentar diminuir a inflação de 65% ao mês. “Cinqüenta Cruzados Novos”. Era a frase daquele período. Qualquer pessoa que fosse ao banco, só poderia retirar esse valor. Pessoas que me cumprimentavam na rua “Ô Marquinhos, tudo bem? Dá um abraço pro papai e pra mamãe por mim tá!”, sofreram derrames, ataques cardíacos, ficarem loucas ou se mataram. Para uma melhor compreensão de como isso afetou a vida das pessoas, assistam “Terra Estrangeira” do Walter Salles Junior, ou troque uma idéia com seus pais...

Paralelo a isso, o panorama “cultural(???)” do jovem oriundo da classe média paulistana residente na Vila Prudente:

Tudo era colorido. Cores cítricas e néon. Havia até uma caranga da marca Miura, que tinha essa porcaria de néon no pára–choque. Falando em caranga, o sonho de consumo do “jovem paulistano de classe média” nessa época poderiam ser traduzidos em: Opalão Seis Boca, Golziho Gti, Santana Executivo, Escortinho XR3 1.8, Saveirinho 1.8 e o Kadetão com painel Vaga-Lume (Kadet Gsi com Painel Digital), tudo “no chão” e “filmadão”
As cocócórotas só falavam que o Fabinho, o Binho, o Dinho, o Quinho, o Nandinho e outros inhos “Foram me buscar em casa, de (alguma caranga dessas citadas), pra gente í lá na Over (overnight)” Poderia ser na Subway, na Krypton, no Resumo da Ópera ou na Toco. Na verdade todos esses “inhos” não iam levar. Iam buscar os “cofrinhos”...
Puxa vida... Estava quase esquecendo: a chamada “Leva prreibói pro capeta”(na minha rua, costumávamos falar assim dela): a Yamaha RD 350cc. Essa moto, apesar de não ter muita cilindrada, era extremamente leve, carenagem aerodinâmica, desenho inspirada nas motos de 1000cc e posição esportiva de pilotagem. Essa moto, somado à imprudência dos prreeibóois, só poderia dar em uma coisa:
1º. Cococórotas atraídas pelo Prreeibóoi de “RD”.
2º. Cococórotas na garupa com a bunda arrebitada.
3º. Prreeibóoi e cococórota no chão, freqüentemente, da Avenida Anhaia Mello ou da Avenida Salim Farah Maluf, com os corpos dilacerados e moídos no asfalto, misturados à borracha dos pneus dos caminhões. Morreu muito prreeibóizinho com essa moto.

O que se ouvia? A-HÁ. Muito a-há, tanto que o recorde de público no Maracanã no Rock in Rio ll, foram desses caras. Ereasure, Information Society, Tecnotronic, Snap, C&C Music Factory e mais um monte de grupos que usavam batidas eletrônicas. Porém a maior excrescência musical desta época, era justamnte o que mais se tocava nas rádios. Estou falando do “New Kids On the Bloch”.
As meninas da minha sala tiravam nota dez em todas as disciplinas, colecionavam papéis de carta, deduravam os amiguinhos para a professora, quando esta saía da sala e no final do ano, no amigo secreto, escolhiam um LP do “New Kids on the Bloch”. No final de 1989, eu tirei uma menina que pediu o óbvio. Falei para as minhas irmãs comprarem, pois eu tinha vergonha. Elas se negaram. Comprei né... ...Fazer o quê? Até hoje me lembro que o disco dos caras era mais caro que o álbum duplo do U2 “Hatle and Hum”, que só pelo projeto gráfico, era absurdamente superior que o disco inteiro, melhor, que o repertório inteiro da carreia dos bofes do “New Kids on the Bloch”. Quando eu disse para as minhas irmãs, o preço do disco dos NKB elas queriam morrer, pois além de serem fãs do U2, tinham essa bolacha. Bolacha recheada: era um respeitável álbum duplo.

E “os pano”? O que o “jovem oriundo da classe média paulistana” vestia? Hummm... esta é a melhor parte.
Tudo o que tinha a ver com “Surf Wear”: cores cítricas nas camisetas e bermudas que eram meio agarradinhas, salvo, as camisas e as calças “semi bag”, de preferência da Chevallier.
Quando o desgraçado aprontava seu guarda roupa para “curtir a night”(o termo “balada”, irá sofrer o mesmo tipo de julgamento que “curtir a night”, ou seja: risadas de como esse termo é ridículo. Uma bobagem pois não muda nada, é só uma “nomenclatura”, uma gíria. O elenco muda, mas os personagens são os mesmos, sempre), vestia a camiseta e a camisa no estilo “Surf Wear”, dentro da calça semi bag, calçava seu tênis “Redley” ou aquele sapato ordinário que custava o preço de cinco pares, mas só levava um por causa da etiquetinha minúscula da “Cannon”(Não importava a marca. O modelo do tal sapato era “Cannon”), independente do calçado, deveria ser usado sem meia. Relógio: catracado. Se o cara tinha grana, usava o “Aqualung” original da Citizen, que o cara fazia questão de tirar do pulso para mostrar o selinho tridimensional, comprovando a originalidade do produto. Carteira da Cairê, que o mané tirava da Mochila, também da Cairê, onde levava seu material escolar contendo um caderno com a capa “produzida” com recortes da Revista Fluir: um monte de imagens de caras surfando, mulherada de topless e logotipo de marcas de: “Surf Wear”, com aquela frase maldita: “Destrua as ondas, não a natureza”. Ou era: “Destrua as ondas, não as praias”? AAHHH!!! Sei lá.

E no dia-a-dia? Depois da escola? A “molecada” de camiseta e bermuda quase ao meio das cochas, tudo em cores cítricas, apertadinha (não preciso falar mais da porra do “estilo” não é?), o teninisinho “Redley” ou o sapato “Cannon” usado também sem meia.
E as Mina? Tudo na porra do estilo “Surf Wear”. Mas época a bermudinha e a calça (Jeans, a porcaria do Moleton e outros tecidos) eram atoladas até o “lordinho”, o útero da atrevida, ou seja, quem não tinha bunda, precisava arranjar uma.

As marcas de roupas mais “transadas”(essa palavra é tão nojenta que me deixa até arrepiado) eram: Franete, Sundek, Quicksilver, Billabong, OP, Cairê, Pró Maré, UWF, Open Sea, Sea Club e a pior de todas: a Hang Loose. Aquela mãozinha foi desenhada de tudo quanto é jeito: branco e preto, preto e vermelho, tracejado, pontilhado, degradée...

E a Rabiola? O Black? O corte de cabelo dos prreibói quanto dos mano era um só: curto. Poderia até ter uma variação, mas era tudo curto. Comprido, só traveco e bandido, maconheiro, drogado, enfim: só o que não prestava. Os belo das mina era comprido com franjinha, curtinho (era o melhor, pois quem possuía esse corte, geralmente eram meninas bonitas) ou senão aquele maldito cabelo chitão.



Foi uma época que a galera se encontrava na rua. As ruas vizinhas: ou eram dos “camarada” ou era dos “prreibóii”. A rivalidade entre as ruas eram por comportamento, pois todo mundo era fudido. Quem tinha comportamento de “pseudo-burguês”, apesar de não ter grana, chamávamos de “prreibói”, são caras que viviam de aparência e futilidades. Quem assumia a periferia sem frescura, chamávamos de “Mano”. A minha rua: a Umuarama, era dividia entre esses dois blocos, porém os prrreibóis, ficavam na entrada da rua, o que às vezes, gerava algum desconforto para ambos.
E eu nessa história, o que eu era? Nada, porém já demonstrava uma tendência forte de entrar na facção dos “mano”, onde o Habitat deles eram no “triângulo das bermudas” (Os botecos do Luizão, Messias e Dario), no topo da rua.

Um dia eu estava descendo a Umuarama para ir ao supermercado junto com os meus camaradas: Josué, André, Tilo e o Domingos. Foi num sábado de tarde nas férias do final do ano, o tempo estava fechando: prenúncio de chuva de verão. Os prreibóiis estavam jogando vôlei junto com as cocócórotas. O prreibóii mais folgado, entre todos os folgados era o “Marcelo Chapéu”. Esse cara deu uma cortada na bola, ninguém conseguiu defender resultado: a redondinha foi dar um passeio na rua. Ninguém para pegar a bola para eles, quando vem subindo... ele. A bola passa, e ele nem olha. Simplesmente a deixou rolar.

O tempo parou. Na profusão de cores cítricas das indumentárias de motivos surfistas, das carinhas de bochechas rosas e garotas de carnes voluptuosas, servindo de açougue para quem quisesse pagar, surge uma figura de cores opacas monocromáticas. Os passos severos, pesados, largos e extremamente rápidos. Ao invés do silêncio da sola de borracha dos frágeis tênis Redley e do sapato “Cannon”, um coturno original do exército; escorava, machucava o asfalto. A calça jeans de corte reto, extremamente surrada e rasgada como a jaqueta, também em jeans, que foi “transformada” em um colete, com as mangas literalmente arrancadas e um desenho do iron maiden, “The Trooper”, sem o logo da banda, costurado nas costas do colete. A camiseta com as cores da Bandeira da Inglaterra, uma corrente no pescoço com vários crucifixos pretos pendurados cada elo e um maior todo cromado, medindo pouco mais que 10cm. Este crucifixo estava pendurado ao contrário.
O que era mais sórdido é que essa “coisa” era japonês. Mas ao contrário da visão caricaturada dos japoneses nerd’s, pequenos, frágeis, subservientes, de sorriso fácil e débil, “aquilo” era a antítese desta caricatura: alto (para o biótipo dos japa) e musculoso de uma forma bizarra, não era como os prreibóis que faziam academia para as cocócórtas ficarem molhadinhas e receber elogios de outros prrreibóis. Dava a impressão de que lhe faltava pele e as veias iam explodir. Em suma, parecia que o cara era só nervo, como uma construção que foi embargada no meio da obra, ficando somente a estrutura, faltando todo o resto: hidráulica, elétrica, esquadrias, etc. Possuía uma feição indiferente a tudo. Era a própria reencarnação do mau, o Anticristo.
O cabelo, comprido, conforme o vento, misturava-se aos pequenos crucifixos pretos, dando uma impressão que era uma coisa só: Uma mancha preta para emoldurar a face do mau. A rua parou. Enquanto as pessoas estavam no absurdo do silêncio de suas almas, os latidos enfurecidos dos cachorros ecoavam pela Vila Prudente. Quando chegou perto da rede de vôlei, os preeibóis a levantaram, nem parou ou diminuiu a velocidade dos passos, pois tinha a certeza que a levantariam.
A molecada de 5 a 7 anos, entravam dentro de suas casas correndo, como se estivessem fugindo de um monstro. As “Gorete” (fofoqueiras) olhavam para ele com expressão de pavor e repulsa, intercalando as mãos no rosto e o sinal da cruz como se estivessem repelindo a visão do diabo. Quando ele estava no meio da rua, começou a chover. O tempo literalmente fechou. Acabou a tarde de sábado. O sol, risonho e debochado dos prreibóis,foi eclipsado pelas trevas. Quando ele sumiu ao dobrar a esquina, olhávamos entre nós para ver quem poderia explicar o que era aquilo. Foi aí que o Tilo disse:

“Esse é o Motomo”

Não sabíamos, mas acabávamos de ver pela primeira vez, a maior influência de nossa adolescência: “Motomo: o Flagelo de Deus”




enviada por odapoltrona



02/08/2004 21:21


" M O T O MO : O FLAGELO DE DEUS parte 1"

Aguardem... dia 4 de agosto.



enviada por odapoltrona



23/07/2004 19:49

Confeccionei o texto abaixo em meados do primeiro semestre desse ano. Gostei da abordagem do assunto, seria um disperdício deixar esse arquivo esquecido. Vou compartilhar esse texto com vocês.

Cinza

Marianne Faithfull, ícone dos anos 60. Feminista, cantora, dona de um repertório que ia do "easy listening" ao folk elétrico de Bob Dylan (genérico do Chicão - chico buarque...), com melodias pronunciadas por uma voz “doce”, quase apagada. Namorada de Mick Jagger, fulgurou como o “casal vanguardinha”. Ela andava de vestidinhos tubinhos com jaquetas de couro surradíssimas, enfim: a pioneira do que hoje é chamado de "Culturetes",
Marianne Faithfull, insistiu nos anos 70, 80 e 90. Acredito que o que ela fez de melhor depois dos anos 60 foi ser uma das influências de um tal de Stephen Morrissey, vocalista de uma banda de rock super esquisita de Manchester chamada "Smiths".

Outro dia assisti um filme, daqueles que passam de madrugada no meio da semana, de um grupo de salvamento nas montanhas, que foram prestar socorro a um grupo de alpinistas. No meio do caminho: avalanche, e aí você sabe... todos aqueles clichês Hollywoodianos, super efeitos sonoros, visuais. Tudo isso para não matar ninguém, porém o corpo de uma mulher, que fazia parte do grupo de salvamento, desaparecida 1 ano, emergiu das geleiras, cristalizada, uma "menina de vidro" literalmente.
Marianne Faithfull foi congelada pelo tempo, por uma época, depois disso, é uma caricatura dela mesma.

Sábado encontrei com a Dona Cíntia no ônibus linha 3160-20(terminal vila prudente-praça clóvis). Falamos de coisas da vida, futilidades, nada de especial. Especial...
Engraçado. Conversar com a Cíntia foi a mesma coisa que conversar com a moça congelada do filme, ou como ouvir um disco da Marianne Faithfull dos anos 80. Pessoas que marcaram um período ou uma época e ficaram na história.

Houve um respeito silencioso e um agradecimento implícito por darmos presentes tão bons para as nossas memórias.

A Cíntia cristalizada nas minhas lembranças, estranhou a versão atual da mesma pessoa. Ela gostava de janelas e da cor púrpura, Hoje não restaram janelas e nem matizes púrpuras exitem mais.
Só restaram cores...

... cinzas.


"Prefiro recordar do que viver" - frase perdida no último filme de Fellini


enviada por odapoltrona



19/07/2004 18:49


SATURDAY NIGHT FEVER


Sábado. Dona Milene enviou uma mensagem para uma porrada de pessoas... Porrada? Não... ...Uma multidão de pessoas, solicitando se uma “boa alma”, poderia acompanhar a moçoila na peça “O que diz Moleiro” 240min. Horário: 20h, depois ela iria a um restaurante na Vila Madalena para participar de uma despedida de uma amiga dela que vai morar um tempo em Londres.

Só que ninguém respondeu ao e-mail. Apenas o Kina e sua namorada que não puderam ir, mas fizeram questão de justificar a falta, em uma Lan House, pois estavam no Sul (esse casal é extremamente firmeza,). Quem mais respondeu? Eu... ... O velho e pequeno Issao, que após o término da peça voltaria para casa.

Mas o que está de tão errado nisso? O que há de anormal? Tudo. A Mimi tem uma horda, uma multidão de fãs apaixonados por ela, tanto que eu e o Moraes (idéia concebida pelo Moraes), estamos para inaugurar um site, ou qualquer coisa que o valha, com o nome “Eu sou ou eu já fui apaixonado pela Milene”. É tanto cara que poderíamos classificar em estatura, procedência, etnia, classe social, idade e etc. Só que esses caras meu amigo, minha amiga: viraram mingau. Nenhum desses nabos apareceram para levar de carona a Mimi.

Inacreditável... E aí ela teve que combinar com alguém dessa tal despedida, se poderiam ceder um lugar para ela na hora da volta, pois o restaurante fecharia cedo, lá pelas 2:00 da matina. Nada.

Bom e aí a danada ficou emputecida com o mundo. Não queria mais sair. No final das contas fomos no cinema assistir sabe o quê, o da poltrona? Shureck, shuibick, shyurieck 2? (sei lá como se escreve essa merda) Não. Homem-Arantes 2(batizado pela Jan)? Não. E aqueles filmes de bombinha, de heróis bombados e comédias românticas? Também Não. Fomos assistir... ...Cazuza. Sim, eu, pela terceira vez. A segunda na mesma semana. Optei por assistir esse filme novamente, pela terceira vez, do que assistir esses filminhos mela cueca no estilo da Julia Roberts ou outra genérica que parece enredo condensado de novela das 6:00.

Consultei os horários do cinema com o jornal de quarta-feira, pois fui assistir esse filme com a Janinha, só que na Paulista. Quando eu e a Mimi estávamos a quatro cabeças do caixa do Cinemark a Danada disse:

- Issao, Cabeçuco!!! Você viu o horário errado!!! Não é 7:50, é 7:30!!!!!
- Calma Shirley!!! O filme deve tá nos trailler ainda!!! Relaxa...

***(Shirley? Como assim? É que a Dona Milene deu uma de Biro-Biro, e meteu uma bica no sofá. Motivo: sei lá, mas sei que o seu pezinho virou pastel. Hoje, seu pé ainda sofre de lesões e de “incompetências hospitalares”, mas o seu “caminhar” melhorou bastante, pois um tempo atrás, ela parecia aquela mina da novela da Grrobo que andava mancando e trabalhava em um ferro-velho junto o “Jamanta” e o Tony Ramos).

Compramos o bilhete e entramos na sala que estava no trailler da “Olga”. A Mimi levou um pacote de pipoca que poderia ser resposto e eu comprei o refrigerante (Pra que escrever sobre a pipoca? Ahhh cumpadi, no final você vai entender)

Durante o filme, duas coisas importantíssimas, que eu pude contastar: o primeiro caso de viadagem do Cazuza, de fogo na rabeta, de mordida nervosa na fronha, de meinha de feira, foi com uma bichinha chamada: “Serginho”. E daí? É que eu tenho um camarada firmeza da Faculdade, que se chama “Serginho”. A outra contastação é: (vou até pular de linha para dar maior ênfase na parada).


Tem uma bicha véia no filme chamado "Zeca". A bicha é o melhor amigo de todo o mundo. A galera toda do Rio de Janeiro conhece a figura, porém não dá e nem come ninguém. E aí eu tive uma clarividência: Essa bicha velha sou eu. Calma eu não sou viado, bicha e outros genéricos, mas também não como ninguém. Tem mais ainda: não posso beber e comer (de ingerir) uma porrada de coisa. Ou seja: como eu disse outro dia para a Dona Selma (mãe da Milene): eu sou uma samambaia sem xaxim. Cheguei a essa conclusão somente na 3ª. Vez ao assistir o filme. Alguém vai dizer que eu demorei para chegar a essa conclusão... filho da puta...

Lembram da pipoca? Então: Ao sairmos da sala, a gente viu que a propaganda do pacote era do filme “Sexo, Amor e Traição”: O pacote era o mesmo. O pacote era desde Janeiro e antes de ser “reutilizado” tinha umas pipoquinhas e um salzinho para dar gosto ainda. A menina do caixa teve a pachorra de dar duas grampeadas King Size no fundo do pacote que estava furado. Olha... ... mesmo assim a pipoca tava gostosa. Eu não morri, nem a Mimi, mas que foi PHODA, foi.

Acabou? Não. Estávamos andando no central prrráááázaaaa, quando de repente a Mimi teve uma cólica intestinal. Colocou a mão na barriga e ficou até meio encolhida. Deveria estar doendo bastante pois ela desencanou e começou a rir que não parava. E aí ela apontou para a loja que estava na nossa frente.

- BLOU JOBY

Sim, é isso mesmo. O nome da porra da loja é “BLOU JOBY modas femininas”. Tive uma cólica intestinal na hora. Uns moleques de uns 5 e 7 anos, acharam engraçado e ficavam imitando a gente. Essa da lojinha quebrou tudo. Depois da gente tomar um mate, passamos por lá novamente e resolvi entrar. Tivemos que sair antes pois a Mimi não estava conseguindo segurar a gargalhada que já rolava dentro dela, como se fosse uma represa prestes a estourar, mas conseguimos levar os cartões da loja como prova irrefutável da veracidade dos acontecimentos. Dei uma “Scaneada” no cartão. Quem deixar um comentário, envio a imagem do cartão.

Enfim, foi um sábado que poderia ter sido uma merda, mas foi legal por ter sido uma merda ao quadrado e ternos conseguido tirar partido disso para dar boas risadas.






enviada por odapoltrona



15/07/2004 17:36

SEGUNDA-FEIRA SEM NOÇÃO


Segunda-feira. Após uma entrevista ou melhor uma pole-position de milésimos de segundos a bordo de um AutoCad R14( Essa versão seria o mesmo que estar dirigindo um Passatão ano 78 de farol redondo de banco de napa preto). Depois deste teste, peguei o metrôsão e fui até a faculdade, como eu faço todo dia para usar a Internet e a biblioteca.
Levei um livro do Proust “No caminho de Swann”, que faz parte de um conjunto de sete volumes chamado “Em busca do Tempo Perdido”.

No final da tarde eu liguei para a dona Milene e ficamos conversando no telefone um tempo absurdo, tanto que ouvi o pai dela: o seu Edson, dar um gritão “Vem jantar que tá esfriando” que pensei que foi o meu pai.

Matias, John Lennon ou simplesmente Matheus. Fui na casa do cara encher o saco dele, tanto que levei o violão para apresentar a trilha sonora da “triste história do pequeno Sasha”. Demos umas gargalhadas nervosas. Sasha é um menininho polonês em 1939, que vai acabar nas graças do Dr. Menghelli.


Bom... Agora chegamos no filé deste “pseudo-blog” de hoje:

Saí da casa do Mathias umas 23:30. Como eu fui embora à pé, passei pelo “Triângulo das Bermudas” que fica na minha rua à 50 metros de casa. Esse lugar era composto por três botecos: o bar do Luizão, o bar do Messias e o Bar do Dario. O bar do Dario era freqüentado pelos cabra-macho risca-faca mais sarnentos da Vila Prudente. Era morte de retirante quase toda semana. A molecada (da qual eu fazia parte) nem brincava mais na rua com medo de levar azeitonada. Era sempre assim: começava com uma discussão e terminava no cemitério. Aí o Luizão e o Messias pediram educadamente para o Dario fechar o estabelecimento. O Dario não gostou muito da idéia, então saíram no tiro: saldo Dario não morreu, nem o Luizão e o Messias, mas os clientes do Dario Hummm, Levaram chumbo, morreram uns dois no local e o resto, de maneira muito misteriosa foram morrendo no hospital e mesmo com alta não duravam 2 dias. Os frequentadores do Bar do Luizão e do Messias eram e são frequentados pelos chamados "cidadãos de bem", pais de família: Investigadores e outras coisas desse tipo. Pronto, a paz reinou na minha rua. Hoje risca-faca no bar do Messias ou do Luizão que começa a ficar saidinho leva chumbo.

Bom voltando ao que interessa: Passei em frente do bar do Messias, que já estava fechado e em seguida pelo bar do Luizão que tava rolando um som nervoso: Noel Rosa. Fui ver era o Seu Walter, pai do Helmar, meu amigo de infância, tocando violão e uma porrada de pai de camarada de infância cantando com o veio. Quando eles me viram com o case do violão fodeu: “ÔÔÔÔÔÔoooOOoooÔÔÔôôôôÔÔÔ MarquinhoooôôôÔÔÔÔ!!!!!! Vem cá com essa viola toca aqui com a gente!!!!!”

Fazer o quê? Fui...

O seu Walter, pai do Helmar (camarada de infância), levantou e me abraçou, fazendo com que os outros fizessem o mesmo comigo, parecia uma festa. Cara até o pai do Mosca tava lá. Vocês não tem noção... ...O seu Walter pegou uma lousa de uns 60cm x 50cm, ou seja, era até grandinha, e escreveu as cifras. Tocamos Noite Ilustruda, Lupicínio Rodrigues, Cartola e fiz eles ouvirem Beatles e U2. enquanto a gente tocava uns tiozinhos ficavam cantando segurando o taco de bilhar como se fosse um microfone. Eu olhava para eles e diziam: “tem até pedestal ó”. Nas paredes banners de Schin, Brahma e genéricos e uma estante com vários troféus de campeonatos de futebol de várzea da região.

Fui embora de lá à 1:00 da madruga de segunda-feira. O seu Walter que tava baqueado, mas nem tanto, desceu sozinho a rua comigo, mas o violão dele deu umas raspadinhas nos muros dos nossos vizinhos

Eles me convidaram voltar na hora que eu quiser, vou levar o Moraes como testemunha ocular da história, senão vou ficar com fama de mentiroso, pois essa é surreal demais.




enviada por odapoltrona



12/07/2004 11:20
FERIADO DA REVOLUÇÃO DE 32

Sexta-feira. Vou para o cinema. Lars Von Trier (Dogville, 2003), Robert Bresson (O Processo de Joana d´arc, 1962), Silvio Soldini (Queimando ao Vento, 2001)>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>> Que nada!!!!!

Homem-Aranha 2, filhão!!!!! Quem dirigiu a bagaça? Sami Raimi. Quer saber mais? Levei um camarada: o Matheus, e fui eu quem deu a idéia de assistir a parada. Querem saber se gostei? Gostei. Gostei muito para dizer a verdade, um filmão no melhor estilo "blockbuster".

Porém tem que saber assistir. Sentar na poltrona do Cinemark querendo analisar esse filme sobre um ótica do mesmo teor que Ingmar Bergman ou Kubrick, além de atestar seu diplominha de chato, vai levar uma buzinada do exú-chacrinha como "O ingênuo e suas fruições solitárias sobre as vanguardas imagéticas dos arquétipos cinematográficos das salas de projeções do cirucuito paulistano".

enviada por odapoltrona



05/07/2004 18:10
TEMPO


O tempo é surdo-mudo e cego. O tempo não é aprendiz, pelo contrário, faz troça a mestres e eruditos.
O tempo é a rotina azeda do casal. É a distração da criança com seu brinquedo novo. É a bonequinha encardida, sem braços, de cabelo engrenhado amontoada com outros brinquedos esquecidos, quebrados ou desmembrados no porão.

O tempo não namora e nem casa. Porém não sofre, não mente, não trái ou decepciona uma das partes, desmoronando planos.

O tempo não é o protagonista, o coadjuvante, o figurante, a equipe técnica, o diretor, o produtor ou o roteirista. O tempo é o espectador na sala de projeção. Livre para ficar ou sair quando quiser.

O tempo não é a vítima, o assassino ou o cúmplice. Não é o delegado ou o advogado. Também não é o Juiz.

O tempo é a prisão.
Inerte. Indiferente à agonia do condenado
enviada por odapoltrona



02/07/2004 15:32

CRÔNICAS URBANAS 2 (MEMÓRIAS)

Mais uma do estágio na prefeitura.

Vocês se lembram, no ano passado, daquele fuzuê para retirar os camelôs da 25 de março? Pois é... a rua São Bento, onde fica o meu ex-estágio também levou um tapa de gambé nas zoreia.

Onde eu estava no primeiro dia de confronto da Polícia Militar com os profissionais do mercado informal? Uai, indo para o estágio, ué!!!

Saindo do metrô, notei que eu e mais uma meia dúzia de cabeçudos desavizados desceram no metrô São Bento. Achei sinistro...
Cadê a mulherada com as sacolas, os tiozinhos carregando "as mercadoria" debaixo do braço, as cócócórotas do colégio São Bento?
Nada. São 3 lances de escada para se chegar na Rua São Bento. Só o herói aqui subiu, nem vento me acompanhava.

Rua São Bento. Blecaute. Marcelo Rubens Paiva. O que eu vi foi pior, pois não havia nem as pessoas congeladas, como se fossem bonecos de cera. Vou ficar parado? Que nada, eram só 100m até o trampo. Fui numa boa. Até os 50 metros.

Polícia e Camelôs subindo a São João. Bombas de efeito Moral. Sabem o que é essa picadilha de bomba de efeito moral? Sei lá!!! Não fiquei esperando para saber. Corri de volta para o metrô. Na rua Boa Vista três cavalos entram correndo na São Bento na direção contrária. A galera atrás de mim e os cavalos bufando na minha frente. Fiquei atrás de uns vasos do tamanho da Ilza Carla do prédio do Banco do Brasil e deixei os pangarés passarem. E aí cumpadi, corri os 50 metros rasos, muito rasos, rebaixados, triscando no chão, mais rápido que o Centro já viu. Acho que cheguei no metrô antes mesmo eu ficar cansado ou sem ar.

Cheguei no Boulevar na própria estação São Bento e telefonei para o Depto.

issao: Alô, Terezinha!!! É o Marcos, Tô aqui na Estação São Bento.
?: Terezinha? Errrr... eu não sou desse departamento, eu sou da manutenção.
Issao: ...
?: Não tem ninguém aqui.
Issao: Ninguém!!!
?: Eu tô aqui porque eu entro às 22:00 e saio às 06:00, mas eu estou ilhado aqui... Ninguém é louco de vir trabalhar hoje.
Issao: É, é verdade... Falou, obrigado.

Voltando para casa:
Issao: oi pai, tudo bem?
meu velho: tudo bem? Você foi trabalhar hoje!!!???
Issao: Quem eu? Não!!! Eu fui dar uma volta... Fui até a faculdade!
m.v.: Ahh.

enviada por odapoltrona



01/07/2004 20:16
CRÔNICAS URBANAS (MEMÓRIAS)

Quando eu era estagiário no Depto. de Projetos Urbanos da Prefeitura, tive que encarar umas vistorias nas áreas da Vila Maria (que faziam parte da Operação Urbana Carandiru do Plano Diretor) que são infestadas de galpões e indústrias.
Como funcionava essa tal de vistoria? Anotar umas parada que eu não vou ficar especificando aqui por ser uns lance técnico, chato pra cacete e outras coisas como os andares e se a edificação do lote estava em boas condições. O motorista da prefeitura me levava em um Goleta branquinho e me deixava no lugar. As vistorias eram realizadas a pé.

Um dia estava tirando uma foto de um tanque de uma indústria de papelão quando de repente: UUUUUUUÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓ, a sirene tocou. Depois de uns 3 ou 4 segundos a indústria da frente também. Do nada surge uma multidão correndo, cobrindo a rua inteira de funcionários uniformizados com o capacete na mão, escorando o asfalto com aquelas botas de bico amarelo. Uns preibóizitos e umas cócócóretes no estilinho gostosinha do Depto. Pessoal também.

Só poderia ser uma coisa. A porcaria do tanque vai explodir!!!
O que fazer? Corri junto com a galera. A minha lapiseira 0.3 da época do Rocha caiu. Nem liguei, fui embora com a banca. Tinha umas tiazinhas que não conseguiam mais acompanhar, porém a Avenida Guilherme estava a poucos metros. A Multidão se bipartiu. Fui com a galera da direita que entrou em um restaurante para fazer fila. Fila? Mas... como assim? Fila do quê? Olhei para o relógio: 12:15. A sirene era do horário do almoço.


Ainda tive que ouvir: "Ô japonês, pensou rapidinho heim! Se você ficasse no fim da fila, é quase 20 minutu até sentá e enche o bucho. Ô raça esperta a tua japonês!!!"

Dei uma de migué, fui até o banheiro para me recompor e saí de fininho.
O mané ainda voltou para ver se encontrar a lapiseira, mas a única coisa que encontrou foi o tiozinho do Goleta me esperando para dar o Ninja.

enviada por odapoltrona



30/06/2004 17:23
NO TEXTO ABAIXO "QUANDO ÉRAMOS RIDÍCULOS", NÃO ESTOU CONSEGUINDO ACESSAR OS COMENTÁRIOS. DEIXEM SEUS COMENTÁRIOS NESSE COMUNICADO.


Esse blog do ig foi feito por algum voluntário. Talvez um estudante de Web Design da S.O.S. computadores ou da Data Byte. Alma fraterna essa...
enviada por odapoltrona



28/06/2004 18:46
QUANDO ÉRAMOS RIDÍCULOS

Mick Jagger vetou por 30 anos a exibição pública do “Rolling Stone Circus”, por considerar um registro de uma época da qual quer esquecer. Fiz o mesmo, porém sem intenção, ao taxar com arrogância e prepotência a molecada que faz parte das novas turmas do Rocha Mendes que vimos na Festa Junina. A minha tolerância foi testada sem dó pelos nossos genéricos (havia um genérico do Issao na barraca do dogão), principalmente com as bandinhas de hardcorezitos. Uma merda .... coliformes fecais em ruídos através de instrumentos musicais. Quando algum garoto começava a cantar então... Hummm, aí a caatinga era mais hardcore do que eles estavam querendo tocar.

Foi curiosos ver uma paisagem do que éramos, e a empáfia, a ojeriza, a negação, o asco que aquele amontoado de adolescentes nos provocou. Não adianta... éramos daquele jeito. /alguém irá dizer, que éramos melhores. Posso concordar com alguns pontos que vocês apresentarem, mas tirando isso, no geral éramos parecidos com eles.

Mas nos vácuos em que eu ficava em silêncio andando pelo pátio, na quadra e no corredor, a memória atacava involuntariamente.

As risadas escandalosas do Buba, Moraes e Dona Milene namorando na escada de acesso ao palquinho, as incontáveis camisetas do Red Hot Chilli Peppers, compradas ou confeccionadas pelo próprio Diógenes, os glúteos abençoadamente desproporcionais da Buzza, a beleza angelical, quase andrógina da Talita, o Chico e a Janaína abraçadinhos, o Carro do professor Eudes ( Corcel l, verde farmácia), as madeixas indisciplinadas da Mércia, o Pager no cinto do Adilson, a explosão hormonal das Maria Helenas no último ano, as pernocas da professora Mônica, o sorriso da dona Joana, o rostinho sardento e os cabelos pretos e ondulados da Dona Cíntia.

São “flashes”, imagens sobrepostas, uma a outra, em uma velocidade absurda. Uma chuva de visões e sons desse período.
Não haverá outra época como aquela. A memória é testemunha.

Negamos ás vezes este saudosismo até para não ficarmos lembrando arbitrariamente, vulgarizando algo tão bom.

Éramos ridículos, pretensiosos, barulhentos e felizes. A felicidade era coletiva, compartilhada. Tivemos o privilégio de nos encontrarmos todo o dia por quatro anos ininterruptos.

E hoje somos felizes? Sim, porém individualmente, cada um está correndo atrás da parcela de felicidade a que temos direito, seja na Arquitetura, nas Artes Plásticas, no Desenho Industrial, na Moda, na Publicidade ou no Teatro.

Agradeço por ter encontrado vocês
O Rocha Mendes proporcionou isso.

enviada por odapoltrona



25/06/2004 21:30
HOJE

O Outono acabou. O frio varreu o desconfortável fervor da ansiedade. O escritor venceu o inferno branco da prostração criativa, porém o agricultor lutou e viu a colheita queimar na geada.

Home está Nublado. Apático. Nem o Calor coruscante do Sol, nem a ira que a chuva nos causa por acabar com aquele passeio ao ar livre.

Dia de descanso mental ou descaso mental? Um dia como outro qualquer? Não. É um dia de vista panorâmica, mas não estou com vontade de apreciar a paisagem. A paisagem é o passado congelado na memória. Os olhos perdem a escala. Edifícios monumentais, transformam-se em migalhas de tamanhos diminutos.

Grandes conquistas medidos com blague pelo prórpio conquistador. O vento pára de impulsionar o navio no meio do Pacífico. O que fazer? Esperar. Independente dos motins e do término das provisões. Esperar. Este é o verbo, esta é a condição.

Inverno. Ao contrário dos países frios, os de clima tropical, não planejam as reservas necessárias para vencer o período infecundo da terra, mas estamos em um clima temperado, inconstante, imprevisível.

Hoje é cinza. Amanhã pode ser Laranja, Lilás, Vermelho...
enviada por odapoltrona



21/06/2004 22:44
COISA MANDADA MAX HARDCORE HIGH LEVEL

Os senhores acreditam em saci manco, macumba mau feita, vista embaçada, peso nas costas, cabeça pesada, muamba garantida, unhada de cunhado chato, cotovelada de cobrador e capeta bichada?

Eu acredito. E U A C R E D I T O.

Esse ano eu venho colecionando alguns revezes, mas essa última foi do caralho... Roubaram o meu pé-de-pano, o meu camelo, a minha magrela, enfim a minha bicicleta.

f.d.p., p.q.p., caraca? Vai tomá no cú, F I L H O D A P U T A

Escrever eu entendo numa boa, agora falar p.q.p. e f.d.p., é o fim!!!!!!! Acaba com a função do palavrão.

Nunca usei tanto palavrão, depois que roubaram a bike, senão eu saio dando porrada em todo o mundo. Já se viu? Me transformar no Charles Bronson? "E aê Chales, fimeza?" "o quê?", bom e aí o velho Charles, mete uma azeitonada no cidadão.

Vou rogar uma praga de japonês emputecido. No dia do meu aniversário, dia 26 de Dezembro, o maldito, vai acodar com as mãos entrelaçadas, como se estivesse rezando, e só conseguirá desgrudar os dedos quando a minha magrela parar nas minhas mãos. Imaginem o lazarento chamando o busão ou então vestindo uma blusa.
Mas bom mesmo seria ver o cara no banheio, depois de deixar um descendente no vaso, chamar a mãe: "Mãe, já fiz!!!!!!!!!!!!!!!! Vem me limpar."

Bom talvez isso seja pouco. Quem sabe nasceria nele um par de seios: um durinho e o outro grande, todo molão, caindo na cintura. Aí tá de bom tamanho.
enviada por odapoltrona



09/06/2004 18:02
COISA MANDADA

A tecnologia é maravilhosa não acham? O Homem levou uns quinze ou dez mil anos para desenvolver ferramentas capazes de criar equipamentos essenciais para a sobrevida no mundo selvagem como o blog. Blog???!!! Pois é, realmente um milagre...
Porém a tecnologia também pode ser a porta do capeta, do coisa ruim, do chifgrudo, do bicho do couro grosso, do exú quermesse, enfim do demônio.
Esse meu recém parido blog por exemplo: só pode ser coisa do capeta!!!!!!! Outro dia assisti aqueles filmes enlatados do inter cine da "Grobo". Historinha do filme: a Demi Moore (tava tão novinha que o cabelo da danada parecia com o do Chitão e acreditava ainda que tava abafando) fazia a protagonista: uma mulher que estava grávida de um bebê, que ao nascer seria desprovido de alma, desencadeando o surgimento do Exú HP Inkjet 680C.
Bom, no meu blog o caso é o inverso, ele possiu alma, texto, essas coisas... Porém não tem corpo. Como vocês podem ver.

É o Blog mais feio que eu já vi. É de uma aridez ímpar.

Confeccionei essa porra na faculdade. Acredito que peguei um dia disgramento na rede, pois até chamei o funcionário que fica tomando conta da sala de informática e nem ele conseguiu inserir nada. Nenhuma imagenzinha de 1k. Bom, só me restou então colocar o blog dos meus pares. Nada. E aí eu desencanei.

Cliquei no comando Visualizar. Meu Deus!!!!!! Que lixo!!!!!!
Não havia nada. A parada tá tão tosca que comecei a dar risada. O funcionário também. Foi aquela gargalhada gostosa que você tem que abafar pois o ambiente não agrega tal comportamento, ou seja, o melhor tipo de risada que existe. Tive que sair um momento da sala para rir no corredor.

Conversei com o Moraes ontem à noite e ele me falou que o blog parece um remédio. H
Hoje eu vi que as embalagens de bolachas de coco são parecidas, pois são azuis também, só que a porra da rede da faculdade, queimou as rosquinhas do meu blog.

Issao diz: Até mais senhores e bom feriado.
enviada por odapoltrona



07/06/2004 22:26
PUXA... ATÉ QUE ENFIM.
AGORA EU VOU PARA CASA E DORMIR
enviada por odapoltrona






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